Só comece a ler se estiver interessado e tiver com paciência e disposição. Eu sou prolixo.
Conversando com uma amiga um dia desses fiquei assustado com a conclusão que cheguei. Antes de pensar melhor, eu estava no grupo que achava ridícula a ideia de que jornais e revistas estavam fadados à decadência em ritmo cada vez mais vertiginoso. Na mesma velocidade que a maneira de se comunicar, meu pensamento mudou completamente e é incrível como surgem argumentos novos a cada minuto na minha cabeça.
Gutenberg inventou a prensa no século XV e até o século XVIII tudo o que se imprimia nela era livros. Precisaram de quase trezentos anos para que o jornal, única forma de imprensa na época, atingisse um número maior de pessoas. Só nesse momento do mundo em que vivemos tudo a nossa volta se transforma em uma velocidade incrível. Tirando as mudanças políticas do mesmo século XVIII (e a força da comunicação foi fundamental para que elas ocorressem), pouca coisa se alterava no dia-a-dia do ser humano. Porém, se você pegar os últimos cem anos, é impossível não se assustar com tudo o que aconteceu.
Até meados dos anos 1940, o jornal dividia as atenções com o rádio, que era um aparelho imenso e ficava no meio da sala sendo ouvido por toda a família, como se faz (ou fazia?) com a televisão atualmente. Sem contar a revista, que utilizando uma configuração mais atraente, era direcionada a um público específico, ao contrário do povo em geral, que precisava do jornal para saber o que se passava no mundo. Para você saber quem tinha morrido na guerra, por exemplo, a notícia tinha que fazer literalmente uma viagem. Jornal e rádio eram mídias que se completavam.
As coisas começaram a mudar quando a TV surgiu. Dar imagens e movimentos aos fatos revolucionou a forma de se comunicar. Em vez de bons escritores ou pessoas com boas vozes, a imagem passou a ser fundamental. Esse tal culto à bela imagem existe até hoje. Depois, a TV ganhou cores. Os satélites possibilitaram transmissões ao vivo em alta qualidade e a notícia não podia mais ser sinônimo de videotape. Claro que problemas como delay, imagens recortadas e a impossibilidade de ir a lugares mais distantes do globo não permitiam a revolução total da comunicação. Quando na década de 1980 a televisão a cabo foi ganhando os lares nos Estados Unidos, permitiu-se que canais dedicados à notícia, aos esportes, ao cinema e aos documentários suprissem a carência sobre conteúdo, que não parecia ser o mesmo na TV do que em um jornal ou em uma revista.
Toda essa evolução foi acompanhada com evoluções de todas as outras mídias já citadas. O jornal se propagou e se dividiu por cidades, temas e até público específico. A competição no mercado editorial de revistas fez com que cada vez publicações de qualidade superior se tornassem acessíveis. O rádio passou de ondas AM para FM e virou um canal de divulgação importante para o mercado fonográfico, além de transmissões esportivas e, claro, notícias de maneira rápida, auxiliando motoristas, pois havia chegado aos automóveis.
Porém, tudo parece ir para o fundo do poço com a chegada da internet. O que se vê dentro dessa tela aqui é inacreditável. Primeiro foram os portais, que de maneira cada vez mais rápida e eficiente, atualizam os internautas instantaneamente. Qualquer notícia de qualquer lugar do mundo em que tenha uma tomada (ou sinal de celular) chega ao conhecimento de grande parte da população em questão de segundos. Porém, dentro da internet a evolução não tem fim e acontece em passos acelerados. Os chats trouxeram discussões importantes para perto do público (além de ser uma forma de conhecer pessoas e ampliar os contatos), chegando às redes sociais e ganhando força com as webcams e a banda larga.
A possibilidade de publicação de vídeos, caseiros, profissionais ou imagens de arquivos pessoais fez da notícia na internet algo mais dinâmico e tão próximo da televisão que tirou a dependência de muita gente da rotina do Jornal Nacional. Falando nisso, a tecnologia digital e os aparelhos que permitem a gravação e pausa dos programas, acabou com a escravidão das grades de programação. Ao produzir um programa na TV você não tem mais controle do dia, da hora e do público que está assistindo. O telespectador não é mais o refém.
Voltando ao computador, vieram as redes de relacionamento (a divisão em nichos - sempre acompanhado de muita futilidade) e os blogs - fotoblogs não, esses fazem parte da "besteirada" que o jovem cultua no seu PC. Com aquele veículo a notícia dos portais perdeu o frescor, já nascendo velha. Enquanto um jornalista, antes de jogar no ar a informação, precisa de um mínimo de apuração, uma fonte segura ou pelo menos uma imagem que talvez comprove o fato, um blogueiro, utilizando a prerrogativa de ser dono da própria página (ou se aproveitando do anonimato) joga a notícia (muitas vezes falsa) e serve as vezes como fonte do próprio portal. É a comunicação de dentro para fora.
Exemplo disso: morte de Michael Jackson. Enquanto os grandes portais corriam desesperados atrás de assessores de imprensa do hospital em que o cantor estava internado, enquanto buscavam alguém que viu uma ambulância sair da casa do artista, blogs importantes do mundo das celebridades, com credibilidade já alcançada, bancavam a morte do astro. Nos fóruns de discussão já se discutiam o legado do cantor, deixavam mensagens de pesar, divulgavam links de canções raras para downloads ilegais e até organizavam encontros para celebrar a passagem de Michael Jackson pelo mundo. O You Tube batia recorde de acesso a vídeos do cantor, mas para os portais, para a televisão, para o rádio e para os jornais, Michael Jackson, no máximo, estava em coma.
A estrela do momento agora é o Twitter. Depois de algum tempo olhando meio torto para ele, achando que seria mais uma futilidade que não duraria, começo a ter a impressão de que veio para ficar. Não bobagens de 140 caracteres escritas por pessoas desinteressantes, mas um veículo forte de comunicação. Portais criaram perfis e, quando a notícia é importante, publicam os links diretos para a informação. Blogueiros avisam quando novas postagens são enviadas. Acabou a lista de favoritos e, acreditam, acabou o famoso "www.pera-ai-deixa-eu-lembrar-o-nome-do-site.com.br". Para que eu preciso abrir o sítio da Globo, da UOL e do Terra se eles me avisam, no meu perfil do Twitter, o que de relevante está acontecendo no mundo?
Veja o Ancelmo Gois, por exemplo. Há uma década atrás, mesmo que ele tenha apurado uma nota para sua coluna às 7 da manhã, o público só teria conhecimento disso no jornal do dia seguinte. Já no seu blog ele publica essa mesma nota no momento exato em que ela é feita. Porém, para que o leitor - que nunca teve tanta oportunidade de interagir - soubesse da nota do Gois, ele precisava acessar o blog do colunista. Alguns fazem isso uma vez por hora, outros uma por dia e outros uma por semana. Muitos se esquecem, porque não estão interessados na notícia. Agora, no Twitter, o Ancelmo Gois avisa para você que ele tem uma nota sobre determinado assunto no blog, acompanhado de um link. É a notícia que corre atrás do leitor e não mais o contrário.
Confesso que fiz um Twitter porque achei interessante a ideia do #chupa ir para o TT (não me peça para explicar esse palavreado depois de escrever um texto desse tamanho). Fiz um perfil na segunda-feira à tarde, no momento em que algumas celebridades começaram a colocar em prática o #forasarney. Só que tudo isso é notícia velha. Você se lembra a quanto tempo morreu Michael Jackson? Apenas uma semana! O tempo, que passa cada vez mais rápido, engole os fatos na era da internet. Essa história do #chupa é tão antiga que, nessa época, eu nem tinha Twitter!
Essa semana ainda teve a divulgação do telefone do Bruno Gagliasso, que acompanhei, sem querer, ao vivo, já que estava logado na hora. Dez ou quinze minutos depois o perfil do blog da MTV tuita um link com a frase "Bruno Gagliasso é o novo ícone da geração internet". Achando que era alguma coisa que tinha acontecido faz tempo, cliquei no link. Sabe o que fez do ator um ícone? A divulgação, sem querer, do número do seu celular pelo Twitter. Nunca vi uma pessoa virar ícone em quinze minutos! Quem saiu para almoçar na hora volta para o computador e Bruno Gagliasso, de excelente ator da novela das oito, vira notícia e ícone enquanto você foi na esquina comer um sanduíche. Como uma revista mensal sobrevive em um mundo como esse?
(precisei editar o texto dois minutos depois de coloca-lo no ar por causa disso: bgagliassoResolvi ficar com o chip até segunda!22 minutes ago from web. Eu não procuro essas coisas!) Tudo isso para falar da minha mudança de posição. Jornais e revistas estão condenados. Eles precisam urgentemente conseguir formas de se tornarem relevantes e necessários na realidade atual. Eu tenho algumas sugestões mas esse é o meu décimo quinto parágrafo, sua cabeça já deve estar doendo e depois de dois dias sem falar sobre cinema, o mundo já engoliu o blog e preciso falar de dezenas de "acontecimentos históricos". Deixo minhas sugestões para uma próxima. Já dá depressão de lembrar que tenho duas horas de atualizações do Twitter de quem eu sigo para ler. Isso porque 2010 é que será o ano em que faremos contato.
Dedicado à Daniela (aguardando sua opinião, sem dúvida melhor que a minha).